A aprovação da proposta de emenda à constituição que encerra a escala 6x1 no senado federal acendeu o alerta no mercado financeiro brasileiro. Com votação expressiva de 75 votos a 1 em ambos os turnos em outubro de 2026, a medida agora segue para promulgação e promete transformar a dinâmica operacional de diversas companhias listadas na B3.

O texto estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo o limite diário de oito horas e preservando os salários integrais. A transição ocorrerá em duas fases: o teto cairá para 42 horas semanais 60 dias após a publicação da emenda e, depois de 12 meses, chegará a 40 horas, implementando definitivamente a escala 5x2 com dois dias de descanso remunerado, sendo um preferencialmente aos domingos. As regras abrangem contratos vigentes e permitem acordos coletivos para compensação e revisão formalizados em até um ano.

O principal desafio apontado por analistas é a alta nos custos operacionais decorrente da menor carga horária sem corte salarial, elevando o custo por hora trabalhada em cerca de 10% para quem cumpre o limite máximo atual. Estudo do btg pactual citado na reportagem indica que o varejo pode enfrentar uma retração de aproximadamente 9,5% no resultado operacional antes de medidas de compensação.

Nesse cenário, empresas com forte dependência de mão de obra e funcionamento prolongado figuram entre as mais vulneráveis à pressão vendedora. Especialistas em renda variável destacam redes como assaí, grupo mateus, lojas renner, c&a e o grupo sbf, dono da centauro, que precisarão lidar com despesas maiores em salários, horas extras e eventuais contratações para manter as portas abertas.

Em contrapartida, o impacto não se mostra uniforme para todos os setores da economia brasileira. Companhias ligadas a lazer, turismo, entretenimento e administração de shoppings poderão capturar ganhos com o tempo livre ampliado dos trabalhadores, beneficiando nomes como cvc, multiplan, allos e iguatemi.